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A 2.ª fase de auscultação pública do Plano das Novas Zonas Urbanas começa no Sábado

2011/10/20

A 2.ª fase de auscultação pública do Plano das Novas Zonas Urbanas começa no Sábado
O anteprojecto propõe três princípios de planeamento e oito ideias conceptuais

Tendo sido concluído com sucesso o anteprojecto do Plano Director das Novas Zonas Urbanas, o Governo vai dar início no Sábado (22 de Outubro) à segunda fase de auscultação pública que se prolongará por dois meses. Tendo em conta a procura do desenvolvimento social, o anteprojecto propõe três princípios e oito ideias conceptuais de planeamento. Para mostrar à sociedade o raciocínio do planeamento que se caracteriza por uma análise de múltiplas vertentes, juízo de múltiplo valor e reflexão multidireccional, a equipa de investigação adoptou a forma de “selecção comparativa dos anteprojectos”, apresentando duas ideias sobre a capacidade de carga populacional planeada que são respectivamente 100 mil e 130 mil pessoas e também anteprojectos com características particulares em termos da disposição do espaço, trânsito e utilização dos terrenos, com vista a inspirar a reflexão do público para obter de forma melhor o “consenso de Macau”, tentando procurar a forma como ultrapassar o grande desafio das expectativas diversas face à área limitada dos aterros.

Por incumbência da Secretaria para os Transportes e Obras Públicas, o Instituto de Planeamento Urbano da China promoveu a intervenção de especialistas do interior da China no estudo do Plano Director das Novas Zonas Urbanas. Ao longo do último ano, vieram a Macau fazer estudos de campo e realizar workshops, colóquios e seminários de discussão. A equipa de investigação com base na síntese das opiniões de todas as partes e em conformidade com a realidade de Macau, levando em consideração a procura do futuro desenvolvimento, propôs três princípios fundamentais para o anteprojecto do Plano Director: princípios de desenvolvimento de particularidades, de excelência geral e de baixo teor de carbono. Face à área limitada dos aterros e grande desafio das diversas expectativas da sociedade, estes três princípios fundamentais permitem aos sectores sociais avaliar o valor durante a discussão, tentando procurar o futuro rumo de desenvolvimento, com vista a formar o “consenso de Macau” na elaboração do projecto da fase seguinte.

As oito ideias conceptuais propostas no anteprojecto são: melhorar a qualidade de vida da população, fomentando a diversificação da estrutura económica; aproveitar a oportunidade de cooperação regional, construindo em conjunto o portal do Canal de Shizimen; primazia dos transportes públicos e deslocações ecológicas e criação de uma rede viária de “duplo círculo e duplo eixo”; optimizar a paisagem do ambiente ecológico e aperfeiçoar o planeamento do sistema da rede verde; proteger o “corredor visual da paisagem” que consiste em “colina, mar e cidade” e consolidar a utilização geral da linha costeira; apoio mútuo e complementaridade entre os bairros antigos e as novas zonas urbanas e manutenção das paisagens urbanas singulares; uso intensivo e complexo dos terrenos e rentabilização dos recursos dos espaços subterrâneos; e aperfeiçoar o sistema de protecção civil e aumentar a capacidade de intervenção.

A equipa de investigação efectuou também uma análise técnica em relação à projecção da população residente de Macau e propôs duas ideias relativas à capacidade de carga populacional planeada das novas zonas urbanas, sendo uma “moderada” (100 mil pessoas) e outra “ligeiramente elevada” (130 mil pessoas), com base nos princípios que norteiam a densidade e qualidade do espaço para o futuro desenvolvimento das novas zonas urbanas assim como o controlo dos recursos das zonas do futuro desenvolvimento urbano.

A par disso, os dois grupos de anteprojectos que servem para inspirar a reflexão da sociedade possuem particularidades distintas na disposição do espaço, trânsito e utilização dos terrenos, caracterizando-se o anteprojecto I pela disposição mista da função comunitária, em que a proporção dos terrenos para indústrias diversas é moderada e os espaços verdes são espalhados principalmente à beira-mar. A via circular exterior da Zona A estende-se ao longo do lado do Leste e as infra-estruturas de grande dimensão ficarão instaladas nas Zonas B, C, D e E. Propõe ainda a ideia de transferir o terminal marítimo do Porto Exterior, sobressaindo a visão a longo prazo de criar uma zona de baía de lazer de Macau, em conjugação com o corredor verde costeiro a Sul da Zona A e o landmark do portal urbano. Segundo o anteprojecto, a utilização dos terrenos é diversificada, mantendo a textura urbana singular de Macau caracterizada por “pequenez, primor e imagem compacta” enquanto o skyline tem como background predominante a paisagem natural, sobressaindo com ênfase a imagem urbana de “colinas, mar e cidade”.

No que se refere ao anteprojecto II, a disposição adopta um modelo de divisão de parcelas e utilização dos terrenos com maior funcionalidade, concentrando-se em subdivisões de diferentes tipos e com maior proporção em termos dos terrenos para as indústrias diversas. Os espaços verdes são principalmente espalhados pela beira-mar e pelos bairros das novas zonas urbanas. Será criado um lago interior de lazer nas Zonas C, D e E. A via circular exterior da Zona A fica no meio e as infra-estruturas de grande dimensão concentram-se principalmente na Zona E. O skyline urbano misturado com as características da paisagem urbana cria a imagem de uma cidade moderna.

Além disso, ambos os anteprojectos prevêem a existência de instalações culturais, de turismo, conferências e exposições, de cuidados médicos, assim como instalações educativas, de serviços sociais e desportivas. Existem ainda serviços públicos, instalações municipais e infra-estruturas (armazém intermediário de combustíveis e estação de tratamento de águas residuais) assim como as instalações de trânsito e de segurança.

O pedido da RAEM referente ao plano de aterro de uma área de 350 hectares foi aprovado pelo Governo Central, sob exigências de “planeamento científico, distribuição razoável e uso intensivo”. O Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau, Chui Sai On, no Relatório das Linhas de Acção Governativa para o Ano Financeiro de 2010 e relativamente à nova urbanização também apresentou que “...nos planos dos novos aterros serão reservados terrenos em quantidade adequada ao desenvolvimento de actividades propícias à diversificação económica, estando, desde logo, excluída a do jogo. Parte dos terrenos será destinada à construção de habitação pública, indo, assim, ao encontro do nosso objectivo de elevar a qualidade de vida dos residentes”, rumo que norteia o desenvolvimento. Daí, foi lançado logo no ano passado no âmbito do Pelouro para os Transportes e Obras Públicas a primeira fase de auscultação pública, durante este período, foram recolhidas 1879 opiniões que abrangem 14 áreas de matérias.


Plano director
Planta de condições urbanísticas
Lei do planeamento urbanístico
Regulamentação da Lei do planeamento urbanístico.